Segue o teu destino. Rega as tuas plantas. Ama as tuas rosas. O resto é a sombra de árvores alheias.
Segunda-feira, 17 de Junho de 2013
Um dia triste, dia de greve...

É com uma enorme tristeza que vejo que chegamos ao fim da linha, a última batalha, uma greve de professores num dia de exames nacionais...

Analisando os acontecimentos dos últimos dias, percebo que esta greve, já não é simplesmente, um greve de professores, transformou-se em algo maior... é uma luta por um futuro de um país, que reside na esperança que depositamos nestes alunos, nos alunos que formamos, todos os dias em sala de aula...
Ouço, o Ministro Nuno Crato mencionar que fazemos dos alunos reféns, que os prejudicamos com greve neste dia.

Mas gostava de o questionar e onde esteve a preocupação dele quando aumentou o número de alunos por turma? E deixou milhares de professores no desemprego, necessários em sala de aula?

Quando encerrou escolas, obrigando os alunos a fazer quilómetros para se deslocarem, afastados das suas famílias?

Quando alterou a carga horária das disciplinas e manteve os programas?

Quando reduziu os apoios pedagógicos aos alunos com dificuldades de aprendizagens e do ensino especial?

Quando reduziu o número de psicólogos na escola?

Quando criou mega-agrupamento, que de escola pouco têm?

Quando cortou na acção social e nos passes, quando as famílias estão no desemprego?

Quando reduziu o número de funcionários por 100 alunos?

Quando terminou com o programa de apoio a matemática PAM e de Leitura Ler+?

 

Posto isto, quem fez dos alunos reféns? Nós, os Professores ou o Ministério? Com a justificação da reforma e da crise, utiliza todos as formas para reduzir despesas, sem olhar a meios. Onde estavam os defensores dos alunos, a quando da aprovação destas medidas?

Na verdade, a educação é uma área muito sensível, é nela que está centrada a democracia e a possibilidade do desenvolvimento. Uma nação com um nível de literacia baixo, é extremamente permeáveis ao processo de manipulação pelo poder politico, influenciam as pessoas como devem pensar... Sem educação de qualidade, nunca seremos uma nação, sem educação só a tirania e a corrução vencerá, ninguém quer esse futuro para Portugal. A educação é a arma mais poderosa que se pode usar para mudar o mundo, disse Nelson Mandela.

A greve é por tudo isto, em defesa da escola pública, dos alunos, do futuro do país, dignidade da profissão e uma qualidade do ensino público.

Lutaremos juntos amanhã!

.



publicado por maria mendonça às 10:15
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7 comentários:
De aespumadosdias a 17 de Junho de 2013 às 17:02
Nem com greve às avaliações, nem aos exames, há mudanças nas políticas educativas.


De maria mendonça a 17 de Junho de 2013 às 18:06
Estas medidas servem só para tentar acordar toda as pessoas, que a situação do país não pode continuar...
O ensino nestes últimos anos parece um tubo de ensaio, cada Ministro novo que entra têm ideias novas, altera tudo e às vezes, a estadia no Ministério é tão curta que nem serve para retirarmos nenhuma conclusão. A maioria, não é professor do pré, nem 1º, 2º 3º ou secundário, são do ensino superior ou sociólogos . não conhecem as escolas "por dentro"... enfim
Conheço tantos bons professores, colegas, que dariam bons ministros...


De mafaldinhaarte a 17 de Junho de 2013 às 20:51
Olha dou-te os parabens pelo teu destaque,de facto,com esta postagem,bem o mereceste. Beijinhos e tudo de bom!! Se me quiseres visitar também estás à vontade.


De abrantes a 18 de Junho de 2013 às 14:11
Parece-me incrível que os professores se tenham deixado arrastar por sindicalistas partidários, a quem só a confusão interessa.
E como é possivel não verem o tiro que deram no próprio pé, cavando cada vez mais a sepultura da escola pública que dizem defender. Pois não é evidente que todos os pais que o possam vão, a partir de agora, encaminhar os seus filhos para o ensino privado, onde esta instabilidade grevista pouco se nota?
O dia de exame é o culminar de todo um ano de trabalho e estudo, só quem nunca viveu o stress dessa época se poderá permitir-se brincar com essa data. Decididamente, cada vez me parece mais que os professores, ou os seus dirigentes sindicais, só pensam mesmo em si mesmos...
E havia tantos outros dias e outros tantos processos de "arrancar" as barbas ao ministro...


De maria mendonça a 18 de Junho de 2013 às 15:52
Boa tarde
Felizmente, este dia de greve serviu para abrir consciências e iniciarmos um processo de debate, caso contrário, não estaríamos aqui a trocar ideias.
Para começar, gostaria de lhe esclarecer que sou professora não sindicalizada e não militante de nenhum partido, por isso, livre.
Quanto à escola pública, é por ela que me debato. Por um ensino gratuito igual para todos, indiferente de raça, cor ou estatuto social, não gostaria de ter uma escola elites, é contra esse elitismo que luto.
Já vivi, como estes alunos várias épocas de exames, por isso conheço bem a realidade deles, e sei, que os alunos que estudaram, estão bem preparados e estão tranquilos, até terão mais semanas para estudar :) Preparo alunos não só para o exame, mas para serem cidadãos livres e seres pensantes...
Luto, não só para que entrem na universidade, mas para terem um futuro quando saírem , e não sejam convidados a emigrar como muitos amigos meus estão neste momento a fazer. Estamos a perder grandes crânios, porque lhes fechamos a porta. Eu acredito nas capacidades, dos nossos jovens, e muitos estão na escola pública, a escola que os prepara melhor para encarar a realidade futura.
Obrigada pela sua visita


De Abrantes a 18 de Junho de 2013 às 16:23
Desculpe ter-me "introduzido" abusivamente no seu Blog, pretendi somente expressar uma opinião sobre algo que, certamente por insuficiência minha, não consigo entender.
Não sou professor e talvez esse facto não me permita avaliar totalmente a razão que, eventualmente, vos assistirá. Mas ao recordar-me das minhas passadas épocas de exame e do sossego e tranquilidade que necessitava para preparar aqueles momentos cruciais, confesso que não consigo compreender como é possível que os professores não tenham preservado aquele dia (de exame) de toda e qualquer reivindicação, por mais justa que fosse.
E olhe que a escola pública vai mesmo sair prejudicada com tudo isto, como o confirmam outras opiniões, como esta do Henrique Raposo do Expresso : "Os miúdos privilegiados dos colégios privados vão fazer os exames sem stress, porque os seus professores não fazem greve (apesar de ganharem menos). Os grandes prejudicados são os miúdos que só podem andar na tal escola pública, a instituição que foi destruída por esta absurda inversão moral: em Portugal, o debate em torno da educação gira em torno dos professores, e não em torno dos alunos."
Não incomodarei mais.
Que a tranquilidade regresse rapidamente à Escola, para bem do País.
Obrigado


De maria mendonça a 19 de Junho de 2013 às 12:50
Bom dia
Fico contente que se tenha sentido livre de expressar a sua opinião , é da "discussão" e da troca de ideias que nasce a luz.
Concordo plenamente consigo, espero que a paz e a tranquilidade regresse às escolas, para continuarmos a ensinar e a formar a futura geração, para que Portugal possa sair da crise, o mais rapidamente possivel.
Relativamente à escola pública vs colégio privados, conheço pessoas formadas nos dois sítios , os mais bem sucedidos não são necessariamente os do colégios. Os que têm sucesso são alunos que encaram as dificuldades como desafios e aproveitam as oportunidades, são resilientes, fazem voluntariado, que se colocam no lugar dos outros, que lutam pelo que querem, porque sempre o fizeram... Salvo, raras excepções , este tipo de pessoas não se encontram nos colégios privados, esses sempre tiveram tudo, porque os pais lhes puderam oferecer tudo, não conhecem as dificuldades e quando perante obstáculos da vida, não reagem e não encontram soluções... Estas capacidades/competências, não se ensinam nos currículos , mas surgem de diversas situações que são vividas dentro da escola ao longo da escolaridade. Aceitar, que na turma há alunos diferentes, cada um com a sua vivência, que podem não vestir roupa de marca, podem não ter os ipad , ipod , imac , ps3 e afins, podem não ser iguais e aprender a lidar com isso, é muito importante para a formação como pessoas.
Para mim, a escola é tudo isto, muito mais que um conjunto de salas, onde lecciono , a disciplina maldita a matemática.
obrigada pela sua visita.


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