Segue o teu destino. Rega as tuas plantas. Ama as tuas rosas. O resto é a sombra de árvores alheias.
Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008
Ainda sobre o Magalhães...

Para começar o Magalhães não é uma inovação portuguesa, já existe um produto igual só lhe mudaram a capa. Não é feito em Portugal, é montado em Portugal , num empresa de Matosinhos, J P Sá Couto, isto é, todos os componentes são importados e em Portugal apenas se juntam os materiais.

A iniciativa é considerada por muita gente como uma boa ideia e que trará a longo prazo muitos frutos. Infelizmente, não partilho desse optimismo e não penso que este investimento traga o tal sucesso que, tanto o Primeiro como a Senhora Ministra, apregoam por aí.  Os alunos na faixa etária dos 6 a 10 anos, necessitam de trabalhar com objectos concretos, manipuláveis, para desenvolver competências básicas para poderem progredir ao longo da sua vida escolar sem sobressaltos. É por este motivo que é altamente  desaconselhável a utilização de máquinas calculadoras no 1ºCiclo, mas o Nosso Primeiro insiste em lhes dar computadores....

Num país que anda de cinto apertado com os aumentos dos combustiveis, as taxas de juro, onde os nossos idosos não são tratados com o respeito que deviam,  as reformas são uma miséria, onde faltam lares, maternidades e creches, ver o Primeiro Ministro juntamente com o resto da banda, todos sorridentes a distribuir estes computadores, deu-me a volta ao estômago.

O que anda ele  a fazer  com o dinheiro dos meus impostos?

Apostar na educação é sem dúvida a melhor aposta no nosso futuro, com a qual concordo plenamente, pois é neles, os alunos, que acenta o futuro da nossa nação.

Antes de começar por distribuir os Magalhães por aí, máquinas certamente de elevada qualidade mas de duvidosa utilidade para a melhoria do ensino, não teremos de olhar antes para as restantes condições de ensino? Comecemos pelo início, ainda faltam escolas, nas que existem muitas vezes não há salas suficientes, ou então chove lá dentro. Quanto aos equipamentos já sabemos que este governo é todo tecnológico, pelo que essa parte está assegurada. Quanto aos professores estão desmotivados, todos os anos têm de se preocupar com o facto de terem ou não emprego, com as avaliações e alterações legislativas, pelo que muitas vezes não se podem dedicar como deveriam à sua função principal, ensinar. Os alunos são cobaias de projectos educativos que no longo prazo só poderão comprometer o futuro do país, mas isso não interessa nada porque como são obrigados a ir à escola e têm a passagem de ano quase assegurada, nunca tantos frequentaram a escola e nunca houve tanto sucesso escolar, embora ninguém se preocupe com o facto de sairem da escola quase sem saber escrever.

Eu não sou engenheira, e já agora parece que o sr. Primeiro Ministro também não, mas acho que não se começa uma casa pelo telhado, embora a julgar pelos projectos assinados por ele e que apareceram na televisão, já comece a duvidar...

Este espectáculo da distribuição do Magalhães (começo a sentir-me mal por falar assim de algo com o nome de um português tão ilustre) já cheira à distribuição de frigorificos do Sr. Major.

 

 

 

 

 

 

 



publicado por maria mendonça às 10:37
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2 comentários:
De Antonio Assuncao a 30 de Setembro de 2008 às 11:50
Olá. Acompanho regularmente esta página por uma razão bem simples:- gosto do conteúdo.
Mas chegou a altura de também participar, porque estamos na mesma linha de pensamento: racionalidade e equilibrio.
Somos uma família de professores ( básico e secundário) e como tal, não podía ficar indiferente ao assunto, relativamente ao Magalhães.
Também a nós dá volta ao estômago ver o descaramento com que os governantes(?) vendem os produtos, fruto das suas políticas , tal como se estivessem numa grande superfície comercial.
Depois de Abril, creio que nenhum dos governos desde então eleitos tomou quaisquer medidas ajustadas ao País que somos e às realidades e necessidades concretas. Sucedem-se os governantes (?) e sucedem-se os erros gravíssimos, numa política de quanto mais incompetente melhor para os lugares ,em que cada qual disputa o seu quinhão.
O povo, continuamente enganado, esse, continua na vã esperança de quem tem fé na cura de um mal.
Tão mal vai este querido País ... Em consciência, alguém tem dúvidas que o mal deste País são os políticos que temos tido?
Quanto ao blog, apenas isto: -Parabéns!


De maria mendonça a 16 de Outubro de 2008 às 00:52
Olá António
Obrigada pela sua visita e fico contente que tenha decido começar a participar. Os últimos posts desviaram-se um pouco da linha orientadora, as por vezes é difícil ficar indiferente perante situações. começo a detectar nos meus alunos uma nova pobreza, pais desempregados ou ausentes no estrangeiro, má alimentação, etc e é por esta razão que não entendo o porquê de lhes "oferecermos" estes brinquedos. Eu preferiria que o dinheiro dos contribuintes fosse melhor utilizado. Mas realmente concordo consigo, são estes os políticos que temos tido.


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