Segue o teu destino. Rega as tuas plantas. Ama as tuas rosas. O resto é a sombra de árvores alheias.

Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008
Ontem, a Ministra na TV

Admito que os meus fieis leitores devem andar desiludidos, pois ultimamente neste blog onde antes se falava de jardim, plantas, ambiente e receitas, agora está mais virado para a educação e a política. Eu bem tento controlar-me para não escrever nada sobre esses temas, mas sendo professora extremamente atenta e critica de tudo o que me rodeia, tem sido dificil passar ao lado sem comentar nada. Até porque sendo professora, entendo facilmente cada vez que a Ministra fala a verdade e cada vez que fala mentira. Como diz o ditado "quem não se sente, não é filho de boa gente."

 

Vi a Ministra na conferência de impressa ontem à noite. Foi triste, vê-la naquela situação, zangada com os jornalistas, desgastada, mantendo o mesmo discurso tipo monólogo. Acho que até ela não merecia o que lhe anda a acontecer, mas foi ela que quis assim. Reconheço que a vida dela deve ter sido dura nestes últimos dias e o futuro não sei se será melhor. De todo o discurso reti a última parte: " a ministra quer garantir às escolas e aos portugueses, que a avaliação de desempenho dos professores este ano se fará."

Nunca imaginei que a sua única preocupação fosse essa. Ainda se fosse garantir uma escola e uma educação de qualidade aos alunos, mas garantir que a avaliação se faz, parece-me sem nexo quando a luta é por muito mais do que isso. Quer resumir este braço de ferro à avaliação. É um erro crasso. 

 

 



publicado por maria mendonça às 12:54
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Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008
Este Ministério já não tem emenda...

Os professores alertaram diversas vezes sobre o Estatuto do Aluno e a resposta desta Sr.ª Ministra foi sempre a mesma. Como ela parece ser a iluminada, nunca alterou nem uma vírgula. Porém, com apenas  alguns ovos  os alunos conseguiram levar a Ministra a recuar no artigo das faltas. Alterou o estatuto do aluno, num Domingo, e agora, independentemente do número de  faltas justificadas, os alunos não realizam a prova suplementar.  Diz ela que foi apenas um decreto que clarificou a situação, pois as escolas não souberam interpretar correctamente a Lei.

 

Pois é uma grande mentira. A Lei é clara e qualquer pessoa  que sabe ler a entende.

Aqui fica um link que contem os excertos dos artigos em causa retirados do Estatuto, para quem tiver tempo e paciência. É triste ver uma equipa que lança Leis mal feitas, não ouve ninguém e que depois em vez de assumir os erros, sacode a água do capote para cima dos outros. Fica-lhes muito mal esta atitude. Se há coisa que os professores aprenderam a fazer,  apesar de não serem juristas, é  a ler Leis, Decretos e etc.

 

Depois esta pequena alteração tem por detrás outro pormenor, não menos importante e que convem alertar. A Lei foi alterada por um decreto ministerial. Para a maioria das pessoas isto pode não ser relevante, mas é. Uma Lei que é votada na Assembleia da República, não pode ser alterada por um simples decreto assinado por um qualquer ministro. Os juristas do ministério devem andar a dormir. 

 

No jornal da Sic, felizmente, já ouvi que  CDS e o PSD estão já a par desta embrulhada. Paulo de Carvalho do CDS-PP veio dizer que: "Não é possível alterar uma lei através de um despacho. Se o Governo quer assumir que se enganou no Estatuto do Aluno e quiser alterá-lo deve fazê-lo apresentando uma proposta na Assembleia da República",

"A ministra tem que reconhecer que a lei que fez há um ano foi um erro manifesto. E tem que corrigir esse erro através de uma alteração à lei e não por despacho interpretativo".

 



publicado por maria mendonça às 23:20
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Domingo, 16 de Novembro de 2008
Petição dos pais

Tive conhecimento ontem através de um comentário deixado aqui no blog da Quinta.

Uma petição dos pais e encarregados de educação em defesa pela escola  pública. Já várias vezes tinha apelado aos pais que esta também deverá ser uma luta deles. Unidos conseguiremos uma educação de excelência e não uma educação para a estatística. 

 

"Nós os Pais e Encarregados de Educação autores desta petição, nós os que frequentemente olhamos os nossos filhos enquanto brincam e se divertem, e invariavelmente os imaginamos daqui a muitos anos com os seus e os nossos sonhos, desejando que alcancem uma vida plena. Nós, aqueles que projectam para os seus filhos as competências para a participação numa sociedade de sucesso, e que neles vêem o futuro e a garantia de uma herança cultural colectiva; nós, esses mesmos, também temos uma palavra a dizer.

Na educação, claro! Uma palavra a dizer sobre as políticas educativas que finalmente parecem ter recuperado um país para a sua própria consciência e que nos provaram, afinal, que em Portugal a cultura de intervenção cívica não morreu. Esteve apenas adormecida por uma indiferença ao discurso político, muitas vezes medíocre, e que efectivamente apenas interessa a quem participa nos jogos de poder.

Afinal, quando altos valores se levantam, Portugal reage. Enfim, quando aqueles em quem foi delegado o poder legislativo se esquecem que a lei deve servir a quem neles delegou, Portugal recorda. Porventura, quando os dirigentes revelam não estar à altura da longa tradição de serviço público, Portugal protesta. Quando a falta de cultura social das elites políticas se revela e ultrapassa todos os limites, em matérias que hipotecam seriamente o futuro colectivo de uma nação, Portugal diz basta!!!

(...)

O assunto é demasiado sério, e merece algum cuidado.
Leia atentamente a petição, subscreva e divulgue.
Muito obrigado. "

 

Subscreva aqui.

 



publicado por maria mendonça às 21:32
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Sábado, 15 de Novembro de 2008
Em pensamento... estou em Lisboa

Não podendo estar presente nesta manifestação, que está neste momento a acontecer, junto-me desta forma aos meus colegas.

Posso não estar presente mas estou, sem sombra, de dúvida de coração em pensamento. A Ministra está cada vez mais isolada, e a nossa luta ainda só agora começou. 

 

Força colegas! Unidos conseguiremos uma escola pública digna!

Ser professor  é um orgulho!

 



publicado por maria mendonça às 15:58
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Sexta-feira, 14 de Novembro de 2008
Falou o Presidente...

Presidente da República, Cavaco Silva finalmente pronunciou-se sobre o estado caótico da educação. Mas não disse muito.

Fez hoje um apelo "à serenidade" na educação e pediu que todos os intervenientes façam "um esforço de desanuviamento" para "ultrapassar os problemas".  Perante estas declarações acho que o Presidente não tem consciência da verdadeira situação que se vive dentro das escolas. Parece um barril de pólvora prestes a explodir, só falta acender-lhe o rastilho.  Por muita boa vontade que algumas pessoas ainda tenham em avançar com o processo da avaliação, ninguém sabe como.  A situação já não se ultrapassa com um simples esforço, esse esforço já foi feito. A nosso grito já é de desespero, Sr. Presidente ouça-nos, reúna uma equipa de trabalho para ter mais informação sobre o que se passa no interior.  A conversa da MLR de que o processo está a avançar serenamente nas escolas e que as escolas é que complicam, é mentira.

 

Condenou ainda "inequivocamente" os "desacatos e os insultos protagonizados por alguns alunos" nos últimos dias.

Concordo que os desacatos e a postura dos alunos não foi a melhor. Certamente não foi a escola que lhes ensinou a agir assim. Ensino os meus alunos que os conflitos devem ser ultrapassados com respeito pelos outros e com muito dialogo.

Ainda hoje de manhã alguns dos meus alunos faltaram para fazerem a famosa "greve", eu não sabia de nada. Questionei os presentes sobre a dita greve e entendi que não sabiam nada. Apesar de leccionar matemática parte da minha aula foi passada a explicar-lhes o que é uma greve, como se faz e que deve ser o último recurso. Que não se pode fazer greve só porque os outros fazem.  Mas depois disto, leio no Público declarações do Secretário de Estado, Valter Lemos, que alunos estão a ser “instrumentalizados”. Deixando no ar que são os professores que estão a servir-se dos alunos.  Mas alguma vez os professores desceriam tão baixo, ao ponto de  usar os alunos nas suas lutas? Abra os olhos, os alunos de hoje têm acesso a tanta informação como qualquer um de nós e têm cabeça para pensar.

 

Aliás, se alguém andou a instrumentalizar os alunos, foi o "Engenheiro" quando andou a oferecer os computadores aos alunos, no sentido de comprar votos futuros. Mas parece que se virou o feitiço contra o feiticeiro....

 



publicado por maria mendonça às 18:53
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Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008
Só isto?

Depois da nacionalizaçção do BPN,

do Alberto João Jardim ter avaliado todos os professores colocados na Madeira com bom por portaria,

da Sr.ª Ministra ter sido recebida em Fafe pelos alunos com ovos,

do Manuel Alegre ter declarado estar farto do "quero, posso e mando" da Ministra da Educação,

da Sr.ª Ministra ter ido à Assembleia pedir desculpa aos professores,

e da mega manifestação dos professores no sábado, reunindo 120mil docentes,

Cavaco Silva apenas vem lembrar que a manisfestação é um  direito constitucional.

 

 

Isso já nós sabiamos, pois ainda vivemos num país democrático.

Sr. Presidente, como professor,  é apenas isto que tem para nos dizer?  Já reparou na confusão que está o nosso ensino e as nossas escolas? Não terá também uma palavra a dizer sobre o assunto?

Acho que está na hora de falar aos portugueses.

 

 



publicado por maria mendonça às 10:05
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Domingo, 9 de Novembro de 2008
Enchemos Lisboa...

Ontem, dia 8 de Novembro de 2008, nós, os professores enchemos Lisboa e fizemos história - A Maior Manifestação  de uma Única Classe.  A minha caminhada começou bem mais cedo do que a dos que residem na capital. Cerca das 8 horas estávamos já na porta da escola, mas muitos colegas de Chaves, Bragança, e de outros pontos do país estavam já  em viagem rumo à capital . Um bem haja a esses colegas, pois sei que fazer uma viagem longa depois de uma semana de trabalho, é feita com muito sacrificio. Sr.ª Ministra é a estes professores a quem chama de preguiçosos e de não quererem trabalhar?

Paragem na Praça Velásquez, para apanharmos os últimos colegas e o autocarro encheu. Éramos bem mais do que fomos em Março, por isso sabíamos  que seriamos mais que 100 mil.

Rumo a sul pela auto-estrada, começávamos a engrossar as fileiras. Fomos encontrando  autocarros de todos os pontos dos país.  Paramos em Fátima para comer o farnel e continuamos a viagem. Na chegada a Lisboa éramos mais uns, na imensidão de autocarros que aí já se encontrava. O Terreiro do Paço estava já quase repleto e com alguma dificuldade lá nos conseguíamos movimentar.

 

 

 Ouvimos um rol de discursos e começamos a marcha, lenta mas ruidosa. Levamos uns bombos para ver se nos fazíamos ouvir, pois já sabíamos que a Ministra é um pouco surda de ouvido.

Éramos imensos, um mar de gente, a PSP nem consegue adiantar um número, a organização avança com 120 mil.  Isto reflecte o estado de alma de cerca de 85% da classe, mas para a Ministra é só mais uma manifestação.

Em direcção ao Marques vimos muitos apoiantes da causa, pais inclusive e até alunos e ouvimos palmas de apoio à nossa passagem, obrigada a todos. Chegados ao Marquês, quase não tínhamos espaço para nos reunir e sabíamos que ainda havia colegas na Rua do Ouro.

Ouvimos o discurso e as críticas desta vez com muito mais  atenção e todos apoiamos que a luta tem de continuar, possivelmente com uma Greve para dia 19 de Janeiro. Pediram um minuto de silêncio, e foi o silêncio mais gritante e de apelo que todos nós fizemos. Cantamos o hino, com todo o  respeito, pois somos cidadãos portugueses e respeitamos a democracia ao contrário deste nosso Primeiro Ministro.  Desmobilizamos e retomamos o caminho de regresso.

No meio da avenida encontrei os colegas que lutam contra a prova de ingresso e pensei era ali que eu deveria estar, saudei-os com muita  força para que continuem.  Pois apesar de ter  trabalhado vários ano lectivos seguidos, nem sempre foi com horário completo, o que na prática quer dizer que talvez me  faltem uns dias para completar os cinco anos e ainda terei que realizar a mal afamada  prova. Irónico, eu que já corrigi exames, que já fui directora de turma, directora pedagógica do nocturno, delegada de grupo, com duas pós graduações na área do ensino, e avaliada no ano passado com Muito Bom, terei que realizar  três provas para continuar.

Sr.ª Ministra e Sr. Primeiro Ministro que provas realizaram para estarem nesses cargos? Nenhuma certamente "pá", pois senão teriam chumbado, "pá".

Sr.ª Ministra licenciada em sociologia, então com 120 mil vozes na rua e não retira nenhuma conclusão? Em que Universidade andou, afinal?

já noite dentro fiz o balanço do dia, foi com tristeza que lá estive pois preferia não ter que ir, mas regresso com o sentimento de dever cumprido.

Neste dia muitas lágrimas correram, assim não podemos continuar a ser professores, assim não somos mais professores.

No meio da avenida encontrei os colegas que lutam contra a prova de ingresso e pensei era ali que eu deveria estar, saudei-os com muita  força para que continuem.  Pois apesar de ter  trabalhado vários ano lectivos seguidos, nem sempre foi com horário completo, o que na prática quer dizer que talvez me  faltem uns dias para completar os cinco anos e ainda terei que realizar a mal afamada  prova. Irónico, eu que já corrigi exames, que já fui directora de turma, directora pedagogica do nocturno, delegada de grupo, com duas pós graduações na área do ensino, e avaliada no ano passado com Muito Bom, terei que realizar  três provas para continuar.

Srª Ministra e Srº Primeiro Ministro que provas realizaram para estarem nesses cargos? Nenhuma certamente "pá", pois senão teriam chumbado, "pá".

Srª Ministra licenciada em sociologia, então com 120 mil vozes na rua e não retira nenhuma conclusão? Em que Universidade andou, afinal?

Já noite dentro fiz o balanço do dia, foi com tristeza que lá estive pois preferia não ter que ir, mas regressei com o sentimento de dever cumprido.

Neste dia muitas lágrimas correram, assim não podemos continuar a ser professores, assim não somos mais professores.



publicado por maria mendonça às 20:08
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Quinta-feira, 20 de Março de 2008
Agressão a professora circula na net

Não poderia deixar passar em branco esta situação

Chegou-me agora uma noticia do PúblicoPara que todos os que passam por aqui entendam até que ponto o estado da Educação (ou falta dela) chegou neste país. Felizmente, este será um caso isolado mas não é um caso tão raro quanto se pode pensar.

 

"O episódio aconteceu na quarta-feira da semana passada e colocado, pela primeira vez, no You Tube (site de partilha de vídeos online), no dia seguinte. Sob o título “9ºC em grande!”, as imagens mostram uma aluna da Escola Secundária com 3.º ciclo Carolina Michaelis, no Porto, a agarrar e a puxar o braço da professora de Francês por esta lhe ter tirado o telemóvel. O episódio foi filmado por um dos estudantes presentes na sala, ouvindo-se repetidamente a aluna em causa a gritar para a professora: “Dá-me o telemóvel já”. Durante minutos os alunos nada fazem e limitam-se a assistir à cena em pé. Ouvem-se risos e alguém comenta: “Isto é demais, ouve lá!”. Ao fim de algum tempo, um grupo de alunos tenta separar as duas pessoas envolvidas. Aumenta a confusão e ouve-se um dos alunos a avisar: “Olha que a velha vai cair”, referindo-se à professora."

 

Ainda este mês tive um aluno que se recusou a entregar-me o telemóvel mas não chegou a este ponto, simplesmente convidei-o a sair da aula.

Estou solidária com esta professora, assim não se pode ensinar e não se pode ser professor.

  



publicado por maria mendonça às 19:30
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