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Terça-feira, 29 de Junho de 2010
Antoine de Saint-Exupéry faz 110 anos
O Google a comemorar os 110 anos do nascimento de Saint-Exupéry.
O Principezinho é um dos livros da minha biblioteca (se é que posso chamar biblioteca), pensando bem, relembro-me agora que por acaso contém dois exemplares. Um que me pertence e outro, oferecido por mim a alguém mas que aqui se mantém por enquanto
Inicialmente, aparenta ser um livro para crianças, mas no fundo são ensinamento que nem a maioria dos adultos atinge. Pena, que só uma "imensa minoria" entende ... É triste!
Um dos meus excertos favoritos, o encontro com a raposa... um pouco longo mas uma delícia.
"E foi então que apareceu a raposa: |
- Boa dia, disse a raposa.
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- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
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- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
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- Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
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- Sou uma raposa, disse a raposa.
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- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
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- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
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- Ah! desculpa, disse o principezinho.
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Após uma reflexão, acrescentou:
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- Que quer dizer "cativar"?
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(...)
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- Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
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- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
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- Criar laços?
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- Exactamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
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(...)
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe: |
- Por favor... cativa-me! disse ela.
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- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
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- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
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- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
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- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
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No dia seguinte o principezinho voltou.
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- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.
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- Que é um rito? perguntou o principezinho.
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- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse: | - Ah! Eu vou chorar.
| - A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
| - Quis, disse a raposa.
| - Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
| - Vou, disse a raposa.
| - Então, não sais lucrando nada!
| - Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
| Depois ela acrescentou:
| - Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
| Foi o principezinho rever as rosas:
| - Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela é agora única no mundo.
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Obrigada, por me cativarem...
Beijinhos
Domingo, 31 de Janeiro de 2010
Blog Garfadas On-Line
Por aconselhamento de uma pessoa minha conhecida, comecei a seguir este blog, há já algum tempo. É sobre cozinha e culinária mas numa perspectiva diferente do habitual dos blogs sobre este tema. Tem como título "Garfadas On-line" e lá encontramos livros antigos, como por exemplo "Arte de bem comer", cruzamos com alguns utensílios antigos de cozinha e uma secção em que somos desafiados a descobrir os utensílios mistérios, uma verdadeira delícia.
Acresce dizer que a autora produziu, sozinha, o livro "Receitas e Truques para Doentes Oncológicos" que poderá vir a ser de uma enorme ajuda na alimentação de doentes que padecem dessa terrível doença. Por ser uma edição de autor, a distribuição não é fácil mas pode ser encomendado através do seguinte contacto: garfadasonline@gmail.com.
Por fim, faço meus os votos da autora "que seja útil a um grande número de doentes oncológicos e que lhes melhore e facilite a vida e a dos seus familiares".